Lembrando de

Shiri Negari

Numa manha de terca-feira, 18 de junho de 2002, saiu Shiri Negari de 22 anos de sua casa no bairro de Guila em Jerusalem para o trabalho. Shiri trabalhava emporariamente num banco ate o comeco do ano letivo na universidade. Shiri perdeu o onibus que passa do lado de sua casa e por isso juntou-se a sua mae que saia de carro na mesma hora, para que a deixasse no ponto no fim do bairro de Guila. Shiri desceu no ponto, e sua mae continuou para deixar o irmao mais novo de Shiri na escola.

 

 

 

Um ponto depois daquele que Shiri havia subido no onibus, subiu no onibus um terrorista suicida palestino, que explodiu uma bomba de grande potencia que trazia na mochila cheia de pequenos pedacos de metal. O onibus foi pelos ares com a forca da explosao, junto com as varias pessoas que se encontravam dentro dele.

 

 

O pai de Shiri ainda estava em casa quando ouviu sobre o atentado. Ele imaginou que Shiri encontrava-se no onibus, e comecou a correr em direcao ao  local do atentado. Quando chegou la, espantou-se com o estado do onibus, mas Shiri ja nao estava la. Shiri feriu-se gravemente na barriga e foi levada de ambulancia ao hospital "Hadassah Ein-Karem".

 

 

Tambem a mae de Shiri, depois de deixar seu filho na escola, ouviu as sirenes das ambulancias e carros da policia, e quando entendeu o que havia acontecido, comecou a voltar ao local onde havia deixado Shiri. Quando  recebeu pelo telefone a noticia de que Shiri estava ferida, apressou-se para o hospital, onde encontrou seu marido.

 

Os enfermeiros que cuidaram de Shiri na ambulancia contaram que ela manteve a calma apesar de seus graves ferimentos e da traumatica experiencia pela qual havia passado ha pouco. Ela estava bastante consciente do que acontecia em sua volta e cooperou nos esforcos para manter-la desperta. Ela informou seus dados pessoais com precisao, disse aonde estava doendo e estendeu seu braco para que se pudesse comecar a transfusao. Os enfermeiros informavam Shiri sobre os lugares que passavam em Jerusalem a caminho do hospital, numa tentativa de manter Shiri consciente. Assim que chegaram ao hospital Shiri foi levada para a sala de operacoes, la os medicos tentaram conter as fortes hemorragias causadas pela forte explosao da bomba.

 

A familia de Shiri comecou a se juntar do lado de fora da sala de operacoes rezando para que ela ficasse bem e sobrevivesse. Neste tragico dia, quando os parentes se ligaram depois do atentado para saber se tudo estava bem (assim como fazem as familias em Jerusalem nestes tempos tao loucos), o que se informou foi a terrivel noticia. “Shiri foi atingida. Shiri esta gravemente ferida. Shiri esta na sala de operacoes. Gracas a D'us que ela ainda esta viva…”.

 

Shiri morreu na mesa de operacoes. O impensavel havia ocorrido. Shiri - aquela mesma garota radiante, bonita, boa, feliz e viva - morreu. Foi assassinada. Justo ela? Por que?

 

Pensar no contraste entre a inocencia, beleza e bondade da vida de Shiri e entre a violencia, crueldade e maldade de sua morte eh horrivel.

 

A familia aturdida ficou mais um longo tempo no hospital depois de receber a noticia da morte de Shiri. No comeco estavam muito abalados pelo choque e pela dor. Depois foram ver Shiri pela ultima vez - ela estava bonita como sempre, seu rosto estava inteiro (nos dias de hoje ate por isso devemos agradecer) apesar de alguns pequenos cortes. Seu cabelo comprido e dourado que havia se tornado um simbolo para aqueles que a conheciam, agora estava ligeiramente queimado como resultado do fogo que se seguiu a explosao.

 

Antes de a familia deixar o hospital, esperou pelo irmao soldado de Shiri que estava a caminho do hospital para tambem ele se despedir dela.

 

Shiri foi enterrada no cemiterio “Har Hamenuchot” em Jerusalem perto do tumulo de seu avo, rodeada de sua amada familia e de seus muitos amigos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Shiri era especial, ela parecia irradiar um calor espiritual indefinivel. Desde bebe atraia as pessoas por sua beleza. Ela nunca cortou o cabelo e a tranca loura e longa virou seu simbolo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Shiri ria e fazia os outros rir, gostava de dancar e sabia ser feliz com as pequena coisas da vida. Ela via bondade e beleza em qualquer pessoa que conhecia e fez lacos sociais muito fortes com varias pessoas de diferentes tipos. Ela se encaixava perfeitamente dentro da animada e alegre atmosfera do lugar onde cresceu - ela era cheia de energia, gostava de cantar, tocar, representar, escrever poesias e nadar. Mais do que tudo, se caracterizava por seus altos conceitos morais e por sua lealdade incondicional aos valores e a educacao religiosa que recebeu na casa de seus pais.

 

Shiri estudou na escola "Pelech", se especializando em biologia e literatura. Na foto aparece um cartao de aniversario que escreveu para seu tio.

 

Em seu servico militar, Shiri serviu como professora-soldada e trabalhou com jovens que abandonaram seus estudos. Ela sentava com seus alunos e conversava com eles sobre a vida cotidiana e sobre o futuro de cada um, enquanto jogavam gamao. O servico no exercito foi talvez a primeira vez na vida em que Shiri se afastou de sua casa e de sua familia, desenvolvendo sua independencia. A jovem religiosa, delicada e aparentemente fragil tornou-se uma moca independente e forte.

 

Quando acabou o servico militar, Shiri viajou para a America do Sul. Ela escalou montanhas, fez passeios muito cansativos, fez rafting, viu geleiras, fez passeios de cavalo, pulou de paraquedas, escalou um vulcao ativo, aprendeu espanhol, comprou um monte de presentes para a familia e para os amigos, e mais do que tudo gostou de conhecer tantas pessoas maravilhosas de diferentes partes do mundo. Nos e-mails que mandava para Israel assinava "Shiri Negari, viajante do mundo".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O seu ultimo aniversario no dia 05 de julho de 2001 comemorou com seus amigos do passeio. Shiri completou 21 anos.

 

 

 

 

Quando ficou sem dinheiro, Shiri viajou para Nova York, onde encontrou trabalho num restaurante. Ironicamente, mal chegou la, sua familia ficou sabendo do ataque ao WTC e a contactou ansiosamente, temendo por sua seguranca. Naquela ocasiao ela escapou…

 

Depois de uns poucos meses em Nova York, Shiri voltou para a America do Sul e viajou para o Chile.

 

Depois de aproximadamente um ano desde que havia deixado Israel, ela resolveu voltar. Sua familia disse que talvez fosse melhor que continuasse passeando, longe da bagunca e dos riscos de atentados em Israel. Mas Shiri estava com saudades e voltou para casa.

 

Shiri programou de comecar em outubro seus estudos na Universidade Judaica de Jerusalem, e ate entao se concentrou em diferentes projetos como pintar sua casa, cuidar do jardim, sair com os amigos e passar tempo com a familia. O atentado naquela maldita manha acabou de uma vez com a vida de nossa Shiri. Ela nunca mais cantara, nunca se casara e nem tera filhos. Shiri foi uma dos 19 mortos no atentado em Jerusalem, mais 74 pessoas ficaram feridas.

 

Quando Shiri visitou o campo de concentracao de Auschwitz em uma viagem que fez a Polonia com a escola, ela escreveu em seu diario que viu la uma tranca longa parecida com a sua. Era como como se Shiri tivesse encontrado os parentes que foram assassinados la.

Shiri sempre havia se perguntado qual era o significado de seu cabelo comprido; la no campo de concentracao Shiri escreveu que sentiu que sua tranca era uma ligacao entre ela e os parentes mortos. Pelo jeito, tambem na geracao de Shiri, judeus-israelenses inocentes de qualquer crime ainda sao perseguidos e assassinados.

 

A BATALHA PELA VIDA DE SHIRI ESTA PERDIDA, MAS A LUTA PARA PERPERTUAR SUA MEMORIA APENAS COMECOU.

Para mais informacoes sobre Shiri visitem o site http://www.geocities.com/ShiriNegari

Para fazer contato com a familia escrevam para dvrnet@bezeqint.net